Entrei na faculdade em 1970, um dos piores anos da ditadura militar.
A violência recrudescia contra tudo o que não fosse um amém aos desmandos que se via na administração de nosso estado.
Todos do Grêmio Politécnico foram presos, e eu apesar de ser da diretoria pois fui eleito Presidente da Comissão de Trote, não fui para a tortura.
Mas a OBAN ficou no meu calcanhar diuturnamente por uns meses.
Situação aterradora que por vezes ficava ridícula.
Eu tinha que andar uns mil e quinhentos metros para pegar um ônibus para ir para a escola a C14 tinha que me seguir dando uma que não estavam.
Dava até vontade de falar para me darem uma carona, mas honestamente os trogloditas que atuavam na OBAN não tinham nenhum senso de humor, aliás não tinham senso algum, e o medo era real.
Acho que esperavam que os levasse até a minha namorada de então que era do PCB, assim como toda a família dela. Até o papagaio era mais vermelho que verde e amarelo.
Eu não concordava com o alinhamento do PCB com o regime russo, ou cubano ou ainda chinês. Sempre achei que deveríamos ter uma reforma no Brasil que fosse diferente de tudo aquilo.
Mas ela e sua família sumiram, eu não soube dela por anos, mas felizmente depois soube que sobreviveram.
Um dos amigos da diretoria do grêmio depois de torturado acabou entrando para a ALN e foi pro Araguaia. Sua indignação só era comparável com sua inteligência. Nunca mais voltou, é um dos desaparecidos.
Conto essa história para mostrar que estava no olho do furacão repressivo que a ditadura militar impôs ao nosso povo.
Hoje 50 anos depois de 1964 todas as análises sobre o regime militar dizem que o golpe foi apoiado por vários setores civis que queriam que a economia se estabilizasse e que nos afastássemos do terror comunista.
Isso foi real no momento do golpe que depôs João Goulart, mas o poder embriaga qualquer um, uns (a maioria) se aproveitam para enriquecer, outros não conseguem se recolocar fora do poder e do status que esse lhes dá, mesmo que não tenham por objetivo o enriquecimento.
No caso há quem afirme que os generais que circulavam pelo poder não tiveram enriquecimento acima de suas possibilidades de ganhos nos cargos que ocupavam. Até acredito, penso mesmo que os militares tem um senso cívico que fica acima da média da população.
Mas isso não foi suficiente para ajudar o Brasil.
Embriagados pelo poder e pressionados pelos EUA, não conseguiram delegá-lo por meio de eleições que se restabeleceriam em 1965.
O pior de tudo é que esse regime se mostrou incompetente politicamente, e acabou cooptado pelo poder que sempre foi exercido no Brasil, pelas velhas oligarquias que não queriam mudanças e que queria como sempre se locupletar nas tetas do estado.
E assim foi, com Delfim Neto (esse mesmo que pela ausência de caráter apoiou Lula e apoia Dilma) no comando de um programa econômico demagógico que endividou o Brasil num nível que que demorou décadas para que pudéssemos sair do grande buraco e o pior, destinou toda essa dinheiro aos mesmos poderosos que os apoiaram no golpe, concentrando a renda e tornando nosso povo mais miserável do que já era.
Ontem num programa da Mirian Leitão com o Edmar Bacha pode-se ver o descalabro econômico e social que o regime militar nos legou.
Os militares quando viram a batata quente que produziram quando quebraram nossa economia , resolveram "abrir o regime" mas o que queriam mesmo é se livrar da batata quente.
Aí o desenrolar da história foi tipicamente brasileira, cheia de jeitinhos.
A anistia inocentava os torturadores e aqueles que atuaram violentamente contra a ditadura, num conluio interessante passou-se a indenizar os que se sentissem oprimidos pela ditadura com gordas quantias e pensões vitalícias e para os militares torturadores, ou mandantes destes, a declaração de inocência, também vitalícia.
Compraram com muito dinheiro o silêncio dos que se diziam de esquerda.
Se não há o reconhecimento dos erros, não há história a se contar, o que se conta é uma novela das mais baratas.
Assim como a sociedade de consumo absorveu o movimento hippie, as oligarquias e suas derivações absorveram os tais ativistas contra a ditadura comprando seu silêncio.
E como gostaram do dinheiro esses últimos, agora todos (salvo raríssimas exceções) se locupletam de nosso pobre dinheirinho e nós os eternos bobos da corte ficamos pagando impostos para a canalha nacional.
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terça-feira, 1 de abril de 2014
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Morrer 182 vezes Privilégio de Eduardo Coutinho!
Hoje ouvi a 180a. morte de Eduardo Coutinho.
Para mim, que sou um leigo em cinefilia, era um desconhecido.
E para 99% da população também, não se enganem.
Não o estou desmerecendo, mas sim o jornalismo barato que temos no brazuquinha.
Ele, nas suas 728 facadas (4x182) morreu nas primeiras 4, mas isso não conta, precisamos mostrar as 728.
Eu sei que o jornalista tem que caçar notícia, e mata e remata tantas vezes quanto o público quiser ouvir.
Pobres jornalistas, não se emocionam mais com a morte, até que de um companheiro.
O importante é a notícia.
Para mim, a notícia é pela vida.
O filho, um doidivanas, desperulitou e matou o pai, tentou mas ainda não conseguiu, matar a mãe e tentou (talvez de mentirinha) se matar.
Coisas da vida, acontece centenas, milhares de vezes todos os dias, mas não por doidivanas especiais como o filho do cineasta.
Mas pelos nóias que circundam nossa sociedade.
Deles ninguém fala, não dá mais notícia.
Mas tem tanta morte como a do cineasta, mais, muito mais.
Para mim, desculpem todos, a morte do cineasta e da Dona Eufrásia (o neto cortou-lhe a garganta por 10 mirréis nos Cafundo dos Judas) dão na mesma.
O Doidivanas vai ficar preso, assim a sociedade o pune e dará um monte de notícias. Solução nenhuma.
Algum filho da puta pensou na mulher do tal Eduardo Coutinho!
Alguém falou do drama dessa mulher que perdeu o marido esfaqueado por um filho despirutulado?
Fosse uma peça de teatro, um filme de tv ou cinema todos iriam aplaudir quem a iluminasse, mas é só vida real.
Haveria mil e um comentários "super inteligentes", "super plugados", "super qualquer merda"!
Ah! aquela mulher (talvez a sua), que o cineasta tanto queria retratar e que ninguém dá valor antes de ser sucesso, sim ela pode morrer, talvez seria uma bênção para ela.
Por vezes fico pensando porque vim para esta vida.
É meio tola não acham?
Para mim, que sou um leigo em cinefilia, era um desconhecido.
E para 99% da população também, não se enganem.
Não o estou desmerecendo, mas sim o jornalismo barato que temos no brazuquinha.
Ele, nas suas 728 facadas (4x182) morreu nas primeiras 4, mas isso não conta, precisamos mostrar as 728.
Eu sei que o jornalista tem que caçar notícia, e mata e remata tantas vezes quanto o público quiser ouvir.
Pobres jornalistas, não se emocionam mais com a morte, até que de um companheiro.
O importante é a notícia.
Para mim, a notícia é pela vida.
O filho, um doidivanas, desperulitou e matou o pai, tentou mas ainda não conseguiu, matar a mãe e tentou (talvez de mentirinha) se matar.
Coisas da vida, acontece centenas, milhares de vezes todos os dias, mas não por doidivanas especiais como o filho do cineasta.
Mas pelos nóias que circundam nossa sociedade.
Deles ninguém fala, não dá mais notícia.
Mas tem tanta morte como a do cineasta, mais, muito mais.
Para mim, desculpem todos, a morte do cineasta e da Dona Eufrásia (o neto cortou-lhe a garganta por 10 mirréis nos Cafundo dos Judas) dão na mesma.
O Doidivanas vai ficar preso, assim a sociedade o pune e dará um monte de notícias. Solução nenhuma.
Algum filho da puta pensou na mulher do tal Eduardo Coutinho!
Alguém falou do drama dessa mulher que perdeu o marido esfaqueado por um filho despirutulado?
Fosse uma peça de teatro, um filme de tv ou cinema todos iriam aplaudir quem a iluminasse, mas é só vida real.
Haveria mil e um comentários "super inteligentes", "super plugados", "super qualquer merda"!
Ah! aquela mulher (talvez a sua), que o cineasta tanto queria retratar e que ninguém dá valor antes de ser sucesso, sim ela pode morrer, talvez seria uma bênção para ela.
Por vezes fico pensando porque vim para esta vida.
É meio tola não acham?
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Hoje só amanhã... ou nunca mais.
Tô guentando não.
A idiotice humana tá extrapolando minha paciência.
Tô prá lá de solitário.
Gosto de gente, de falar com as pessoas.
Tenho poucas com quem falar, isso é um grande teste de paciência.
Daí fico ouvindo tv ou rádio.
Céus, só ouço besteiras.
Jornalistas que ganham um dinheirão para falar bobagens, o mesmo do mesmo.
Que merda!
Se o reporter for melhorzinho, invariavelmente o entrevistado é um ninguém.
O jornalismo se salva por conta de 1% de gente decente.
O resto ganha salário como qualquer funcionário público brasileiro.
Vou tentar me comunicar com os et´s, se não forem tão idiotas quanto.
A idiotice humana tá extrapolando minha paciência.
Tô prá lá de solitário.
Gosto de gente, de falar com as pessoas.
Tenho poucas com quem falar, isso é um grande teste de paciência.
Daí fico ouvindo tv ou rádio.
Céus, só ouço besteiras.
Jornalistas que ganham um dinheirão para falar bobagens, o mesmo do mesmo.
Que merda!
Se o reporter for melhorzinho, invariavelmente o entrevistado é um ninguém.
O jornalismo se salva por conta de 1% de gente decente.
O resto ganha salário como qualquer funcionário público brasileiro.
Vou tentar me comunicar com os et´s, se não forem tão idiotas quanto.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Minha São Paulo
Desde muito cedo descobri que vivia em uma cidade que aceitava gente de todo o mundo como iguais.
Uma família imigrante havia se mudado para próximo de nossa casa num Brooklin ainda cheio de mato e cavas (espécie de lagoa restante da exploração de areia).
Imediatamente fizemos amizade com o Sr. Carlos (seu nome não era esse pois ele era alemão de nascimento), sua esposa Dona Margarida (seu nome não era esse pois ela Grega), a Iaiá (a Mãe de Dna.Margarida) e a Helena (nome verdadeiro pois era brasileira).
Como não tinham mais familiares por aqui acabamos por ter boa amizade afinal nossa família tinha italiano e espanhol do lado de meu pai e português e baiano por parte de minha mãe.
No fim do ano, muitos dias eram gastos em produzir quitutes conforme as tradições das duas famílias.
Reunidas as mulheres punham-se na cozinha a fazer doces (a culinária grega tem absoluta semelhança com a árabe afinal se misturam em Istambul), charutinhos recheados, panetones (tinha sem frutas para me alegrar pois não gostava das frutas cítricas) e muitas outras coisas.
Lembro disso não porque ajudasse muito na cozinha, com minha pouca idade mais atrapalharia se tentasse.
Mas alguns dois ou três doces dependiam totalmente da minha participação.
Com pouco mais de 9 anos eu era o encarregado de ir pegar a encomenda daquele tipo de macarrãozinho que é comum em alguns doces que hoje vemos nas casas de comida árabe.
Ia de ônibus até o centro. Tinha aprendido o caminho no ano anterior com a Margarida. Precisava andar uma meia hora dos Baixos do Viaduto do Chá para chegar ao fornecedor que ficava num tipo de sobreloja na Rua 25 de Março. Tinha uma longa escada com dois patamares até chegar lá em cima.
Lá encontrava o homem que fazia a tal massa, trabalhando.
Numas mesas enormes (maiores ainda para uma criança de 9 anos) ele as fazia com um tipo de chuveiro de balde sobre umas folhas de papel manteiga.
Embrulhava-os, eu pagava e descia aquela baita escada com um embrulho enorme nos braços, não caí nunca nem sei por conta de quem, deve ser do tal Alá do turco que fazia a massa.
Na rua fazer um taxi entender que um garoto daquele tamanho queria fazer uma corrida era outra dificuldade, mas sempre tinha alguém que me ajudava. Era uma cidade de gente cordial e educada.
Rapidamente ia de volta para casa com a massa no banco de trás do taxi todo feliz por ter conseguido realizar minha missão.
O rapidamente demorava praticamente uma hora, não por trânsito, mas as avenidas Tiradentes, Nove de Julho e Santo Amaro eram na verdade umas ruas comuns com mão dupla e razoavelmente cheias de carros e ônibus.
Lembro docemente agora desses tempos pois fico até admirado em como, numa São Paulo já razoavelmente populosa no inicio dos anos 60, uma criança como eu tinha a liberdade de ir ao centro da cidade para pagar as contas da família o que me dava experiência suficiente para ir retirar a encomenda da tal massa.
Nos inícios dos meses minha mãe separava o dinheiro necessário para cada conta e juntava-o embrulhava-o nela e fazia uns macinhos para os pagamentos correspondentes.
Pegava eu um ônibus no Brooklin, e lá ia eu para o ponto final em embaixo do viaduto do Chá. Macinhos na mão. Contas & dinheiro. Nunca fui roubado.
Subia a escadaria e dava rapidamente no prédio da Light (esquina da Xavier de Toledo com o Viaduto do chá - hoje há um shopping por lá) e nele pagava a conta de luz. Pronto, um maço a menos e uma conta paga no bolso.
Atravessava a Xavier, e entrada no Mappin, bem em frente. Sempre tinha algum carnê relativo às de compras que nem se lembrava mais relativas a que. Pronto depois do homem do elevador avisar: "crediário, roupas de cama, mesa e banho)" saia do elevador e pronto depois de uma filazinha que não demorava tanto mais um maço pago.
Agora era ir ao DAE (Departamento de Águas e Esgotos do Estado). Esse ficava bem mais longe, o que era muito bom pois podia passear pela cidade.
Por cima do Viaduto do Chá pegava a Rua São Bento que parte da Praça do Patriarca e ia em direção ao Largo São Francisco. Ali minha mãe tinha me mostrado a Igreja e pouco acima um prédio enorme para mim onde é a Faculdade de Direito da USP.
Dali seguia até a Rua Riachuelo para pagar a conta de água. Pronto, mais uma conta pro bolso.
Aí era hora de contar o troco que tinha recebido.
Somado eu tinha que reservar o dinheiro do ônibus para a volta.
Algumas vezes, não todas, sobrava o suficiente para um sanduíche de linguiça que uma lanchonete servia na Rua São Bento.
Se não sobrasse, não ficava chateado. Era assim mesmo, a vida era dura naquele tempo.
E estando por ali sempre valia a pena dar uma passeada pela cidade.
Numa travessinha da Líbero ficava a loja do Sr. Armando, de relógios e canetas, além de vender ele os consertava, era meu vizinho que aos sábados de noite me chamava para sua casa para tomar um pouco de vinho com pão italiano, parmesão e aliche. Seus filhos não gostavam já eram adolescentes e iam para algum bailinho.
Tinha a Michelangelo que vendia produtos de para arte e papelaria, que vitrine adorável para uma criança. Muitas vezes visitada depois.
Na Conselheiro Crispiniano havia uma loja de departamentos (acho que era a Sears) que tinha um tipo de subsolo onde havia uma casa de chá, algumas vezes fomos lá minha mãe, a irmã e eu.
Nos dávamos tempo para viver, naquele tempo os segundos eram muito maiores que os atuais.
E as lojas de instrumentos musicais na Barão de Itapetininga enchia-nos os olhos, como eram bonitos e perfeitos.
Às vezes, da Barão eu cruzava a Praça da República, em frente ao Caetano de Campos (ah que lindas as alunas daquela escola) e ia ao Largo do Arouche, onde meu pai trabalhava como gerente de uma loja de tecidos importados. Naquele tempo a roupa era feita por costureiras e alfaiates.
Uma vez o Gigio (um dos melhores alfaiates da capital e amigo de meu pai) me fez um terninho, se usei uma vez foi muito, mas que era bonito era. Tropical inglês, com calça curta claro.
Por vezes visitava a Tecidos L.Caldas, a loja que meu pai gerenciava, o Primo Carnéro, famoso lutador com quase dois metros de altura. Céus quando o conheci pareceu-me um gigante.
Dependendo da hora voltava para casa com meu pai que pegava um carro de aluguel que era chamado lotação. Era muito grande, cabiam uns 8 ou mais passageiros.
Eu era muito feliz naqueles tempos idos.
Feliz como nunca mais consegui ser.
Uma família imigrante havia se mudado para próximo de nossa casa num Brooklin ainda cheio de mato e cavas (espécie de lagoa restante da exploração de areia).
Imediatamente fizemos amizade com o Sr. Carlos (seu nome não era esse pois ele era alemão de nascimento), sua esposa Dona Margarida (seu nome não era esse pois ela Grega), a Iaiá (a Mãe de Dna.Margarida) e a Helena (nome verdadeiro pois era brasileira).
Como não tinham mais familiares por aqui acabamos por ter boa amizade afinal nossa família tinha italiano e espanhol do lado de meu pai e português e baiano por parte de minha mãe.
No fim do ano, muitos dias eram gastos em produzir quitutes conforme as tradições das duas famílias.
Reunidas as mulheres punham-se na cozinha a fazer doces (a culinária grega tem absoluta semelhança com a árabe afinal se misturam em Istambul), charutinhos recheados, panetones (tinha sem frutas para me alegrar pois não gostava das frutas cítricas) e muitas outras coisas.
Lembro disso não porque ajudasse muito na cozinha, com minha pouca idade mais atrapalharia se tentasse.
Mas alguns dois ou três doces dependiam totalmente da minha participação.
Com pouco mais de 9 anos eu era o encarregado de ir pegar a encomenda daquele tipo de macarrãozinho que é comum em alguns doces que hoje vemos nas casas de comida árabe.
Ia de ônibus até o centro. Tinha aprendido o caminho no ano anterior com a Margarida. Precisava andar uma meia hora dos Baixos do Viaduto do Chá para chegar ao fornecedor que ficava num tipo de sobreloja na Rua 25 de Março. Tinha uma longa escada com dois patamares até chegar lá em cima.
Lá encontrava o homem que fazia a tal massa, trabalhando.
Numas mesas enormes (maiores ainda para uma criança de 9 anos) ele as fazia com um tipo de chuveiro de balde sobre umas folhas de papel manteiga.
Embrulhava-os, eu pagava e descia aquela baita escada com um embrulho enorme nos braços, não caí nunca nem sei por conta de quem, deve ser do tal Alá do turco que fazia a massa.
Na rua fazer um taxi entender que um garoto daquele tamanho queria fazer uma corrida era outra dificuldade, mas sempre tinha alguém que me ajudava. Era uma cidade de gente cordial e educada.
Rapidamente ia de volta para casa com a massa no banco de trás do taxi todo feliz por ter conseguido realizar minha missão.
O rapidamente demorava praticamente uma hora, não por trânsito, mas as avenidas Tiradentes, Nove de Julho e Santo Amaro eram na verdade umas ruas comuns com mão dupla e razoavelmente cheias de carros e ônibus.
Lembro docemente agora desses tempos pois fico até admirado em como, numa São Paulo já razoavelmente populosa no inicio dos anos 60, uma criança como eu tinha a liberdade de ir ao centro da cidade para pagar as contas da família o que me dava experiência suficiente para ir retirar a encomenda da tal massa.
Nos inícios dos meses minha mãe separava o dinheiro necessário para cada conta e juntava-o embrulhava-o nela e fazia uns macinhos para os pagamentos correspondentes.
Pegava eu um ônibus no Brooklin, e lá ia eu para o ponto final em embaixo do viaduto do Chá. Macinhos na mão. Contas & dinheiro. Nunca fui roubado.
Subia a escadaria e dava rapidamente no prédio da Light (esquina da Xavier de Toledo com o Viaduto do chá - hoje há um shopping por lá) e nele pagava a conta de luz. Pronto, um maço a menos e uma conta paga no bolso.
Atravessava a Xavier, e entrada no Mappin, bem em frente. Sempre tinha algum carnê relativo às de compras que nem se lembrava mais relativas a que. Pronto depois do homem do elevador avisar: "crediário, roupas de cama, mesa e banho)" saia do elevador e pronto depois de uma filazinha que não demorava tanto mais um maço pago.
Agora era ir ao DAE (Departamento de Águas e Esgotos do Estado). Esse ficava bem mais longe, o que era muito bom pois podia passear pela cidade.
Por cima do Viaduto do Chá pegava a Rua São Bento que parte da Praça do Patriarca e ia em direção ao Largo São Francisco. Ali minha mãe tinha me mostrado a Igreja e pouco acima um prédio enorme para mim onde é a Faculdade de Direito da USP.
Dali seguia até a Rua Riachuelo para pagar a conta de água. Pronto, mais uma conta pro bolso.
Aí era hora de contar o troco que tinha recebido.
Somado eu tinha que reservar o dinheiro do ônibus para a volta.
Algumas vezes, não todas, sobrava o suficiente para um sanduíche de linguiça que uma lanchonete servia na Rua São Bento.
Se não sobrasse, não ficava chateado. Era assim mesmo, a vida era dura naquele tempo.
E estando por ali sempre valia a pena dar uma passeada pela cidade.
Numa travessinha da Líbero ficava a loja do Sr. Armando, de relógios e canetas, além de vender ele os consertava, era meu vizinho que aos sábados de noite me chamava para sua casa para tomar um pouco de vinho com pão italiano, parmesão e aliche. Seus filhos não gostavam já eram adolescentes e iam para algum bailinho.
Tinha a Michelangelo que vendia produtos de para arte e papelaria, que vitrine adorável para uma criança. Muitas vezes visitada depois.
Na Conselheiro Crispiniano havia uma loja de departamentos (acho que era a Sears) que tinha um tipo de subsolo onde havia uma casa de chá, algumas vezes fomos lá minha mãe, a irmã e eu.
Nos dávamos tempo para viver, naquele tempo os segundos eram muito maiores que os atuais.
E as lojas de instrumentos musicais na Barão de Itapetininga enchia-nos os olhos, como eram bonitos e perfeitos.
Às vezes, da Barão eu cruzava a Praça da República, em frente ao Caetano de Campos (ah que lindas as alunas daquela escola) e ia ao Largo do Arouche, onde meu pai trabalhava como gerente de uma loja de tecidos importados. Naquele tempo a roupa era feita por costureiras e alfaiates.
Uma vez o Gigio (um dos melhores alfaiates da capital e amigo de meu pai) me fez um terninho, se usei uma vez foi muito, mas que era bonito era. Tropical inglês, com calça curta claro.
Por vezes visitava a Tecidos L.Caldas, a loja que meu pai gerenciava, o Primo Carnéro, famoso lutador com quase dois metros de altura. Céus quando o conheci pareceu-me um gigante.
Dependendo da hora voltava para casa com meu pai que pegava um carro de aluguel que era chamado lotação. Era muito grande, cabiam uns 8 ou mais passageiros.
Eu era muito feliz naqueles tempos idos.
Feliz como nunca mais consegui ser.
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Não atirem pedras no rolezinho para não alimentar Pedrinhas!
Não se engane não, Marcola, Beira Mar e outros lideres de facções ditas criminosas são mais revolucionários que toda a esquerda junta.
A dita sociedade civil brasileira tem uma tradição de não violência e eles, a seu lado, tem um exército de mais um milhão de soldados bem violentos.
Gente que não tem nada a perder, que a sociedade brasileira encurralou nas periferias e não lhes deu chance de uma vida digna, essa é a verdade.
Criamos com isso uma população violenta fomentada pelo grande desnível sociocultural brasileiro.
Gente que se tornou violenta pelo simples fato de terem pouco a perder, até a própria vida, tão severina, não lhes é de tanto valor.
Se a sua própria é assim valorizada, assim consideram as dos demais.
Daí um assaltante de 12 anos matar por um celular, um tênis é um passo.
E passo dado todos os dias nesse nosso pobre Brasilzinho idiota.
Nossa hipocrisia social nos levou a criar um sistema perverso, onde há toda uma rede de instituições que se alimentam desse sistema apodrecido.
Todos sabemos que temos corruptos em todas as esferas e instituições que trabalham com o crime, se nós o eliminássemos, ou reduzíssemos o volume de foras da lei estaríamos criando atritos com todas essas categorias que se alimentam profissionalmente do crime e principalmente com a grande massa de corruptos que estão infiltrados nelas.
É um jogo de interesses muito sujos e que os agentes que estariam "do lado da lei" se tornam tão violentos ou mais que os próprios ditos "bandidos".
É o universo da barbárie onde Pedrinhas no Maranhão é um exemplo dos mais gritantes, mas que existem espalhados por todo o país.
E considerando então que as lideranças dos Partidos Bandidos (é assim que deveríamos chamar as facções que dominam os presídios), tem agentes públicos corrompidos que lhes permite instalar verdadeiros escritórios operacionais dentro dos presídios, devemos considerar que estão mais organizados que a sociedade civil está para combatê-los.
Isso é uma guerra civil, morre-se violentamente no Brasil mais que em conflitos como os da Síria.
É uma pena o legado que estamos deixando para as próximas gerações.
Porque esses grupos estão no limiar entre essas duas realidades, a dos arregimentados pelo crime, e a sociedade civil hipócrita que faz de conta que a realidade é boa e até melhoraria se matássemos os que nos incomodam porque eles não querem mais ficar nos seus guetos.
É uma população enorme de jovens que tenta ainda não ser cooptada pela violência, mas que precisam ter voz, precisam ser orientados ter locais para se reunir e cultivarem sua cultura, por pior que ela possa parecer para certas classes sociais.
Eu não gosto de musicas sem melodia que só falam de bunda, peito, buceta, pinto e foda.
Mas é só essa a cultura que oferecemos a essa juventude que na falta de um sistema educacional público, gratuito e de qualidade, só tem os estímulos mais básicos para alimentar seus bardos.
Temos que aceitá-los, queiramos ou não.
Um apartheid como querem criar os Shoppings proibindo-os de entrar dá no que vimos na África do Sul antes do tão cultuado Mandela.
O caso é mais sério, muito mais do que se imagina.
Se não incluirmos esses jovens, não lhes dermos voz, eles serão facilmente cooptados pelos outros, também coitados, que foram levados ao crime e o exército do Marcola e seus "companheiros" terá suas fileiras engrossadas em milhões de soldados revoltados e prontos para matar seus opressores, ou seja nós os hipócritas e idiotas que assistimos tudo pela televisão sem refletir no que estamos assistindo.
A dita sociedade civil brasileira tem uma tradição de não violência e eles, a seu lado, tem um exército de mais um milhão de soldados bem violentos.
Gente que não tem nada a perder, que a sociedade brasileira encurralou nas periferias e não lhes deu chance de uma vida digna, essa é a verdade.
Criamos com isso uma população violenta fomentada pelo grande desnível sociocultural brasileiro.
Gente que se tornou violenta pelo simples fato de terem pouco a perder, até a própria vida, tão severina, não lhes é de tanto valor.
Se a sua própria é assim valorizada, assim consideram as dos demais.
Daí um assaltante de 12 anos matar por um celular, um tênis é um passo.
E passo dado todos os dias nesse nosso pobre Brasilzinho idiota.
Nossa hipocrisia social nos levou a criar um sistema perverso, onde há toda uma rede de instituições que se alimentam desse sistema apodrecido.
Todos sabemos que temos corruptos em todas as esferas e instituições que trabalham com o crime, se nós o eliminássemos, ou reduzíssemos o volume de foras da lei estaríamos criando atritos com todas essas categorias que se alimentam profissionalmente do crime e principalmente com a grande massa de corruptos que estão infiltrados nelas.
É um jogo de interesses muito sujos e que os agentes que estariam "do lado da lei" se tornam tão violentos ou mais que os próprios ditos "bandidos".
É o universo da barbárie onde Pedrinhas no Maranhão é um exemplo dos mais gritantes, mas que existem espalhados por todo o país.
E considerando então que as lideranças dos Partidos Bandidos (é assim que deveríamos chamar as facções que dominam os presídios), tem agentes públicos corrompidos que lhes permite instalar verdadeiros escritórios operacionais dentro dos presídios, devemos considerar que estão mais organizados que a sociedade civil está para combatê-los.
Isso é uma guerra civil, morre-se violentamente no Brasil mais que em conflitos como os da Síria.
É uma pena o legado que estamos deixando para as próximas gerações.
Rolézinho.
Ah! e o porque do rolezinho no título?Porque esses grupos estão no limiar entre essas duas realidades, a dos arregimentados pelo crime, e a sociedade civil hipócrita que faz de conta que a realidade é boa e até melhoraria se matássemos os que nos incomodam porque eles não querem mais ficar nos seus guetos.
É uma população enorme de jovens que tenta ainda não ser cooptada pela violência, mas que precisam ter voz, precisam ser orientados ter locais para se reunir e cultivarem sua cultura, por pior que ela possa parecer para certas classes sociais.
Eu não gosto de musicas sem melodia que só falam de bunda, peito, buceta, pinto e foda.
Mas é só essa a cultura que oferecemos a essa juventude que na falta de um sistema educacional público, gratuito e de qualidade, só tem os estímulos mais básicos para alimentar seus bardos.
Temos que aceitá-los, queiramos ou não.
Um apartheid como querem criar os Shoppings proibindo-os de entrar dá no que vimos na África do Sul antes do tão cultuado Mandela.
O caso é mais sério, muito mais do que se imagina.
Se não incluirmos esses jovens, não lhes dermos voz, eles serão facilmente cooptados pelos outros, também coitados, que foram levados ao crime e o exército do Marcola e seus "companheiros" terá suas fileiras engrossadas em milhões de soldados revoltados e prontos para matar seus opressores, ou seja nós os hipócritas e idiotas que assistimos tudo pela televisão sem refletir no que estamos assistindo.
domingo, 8 de dezembro de 2013
As Pirâmides da Antártida - Outra Civilização?
Três pirâmides antigas foram descobertas na Antártida, por
uma equipe de cientistas americanos e europeus. Duas foram descobertas cerca de
16 milhas
para o interior, enquanto a terceira muito perto da costa.
Os primeiros relatórios sobre as pirâmides apareceram na
mídia ocidental no ano passado. Algumas fotos foram publicadas em alguns sites
com um comentário de que as estruturas estranhas poderiam servir como prova de
que o continente coberto de gelo costumava ser quente o suficiente para ter
sido habitado por uma civilização.
Imagem aérea tomada através do gelo do Pólo Sul parece
mostrar dois ou, possivelmente, três pirâmides em uma linha, em uma formação
semelhante às pirâmides de Giza.
Até agora, pouco se sabe sobre as pirâmides e a equipe
prefere manter silêncio sobre a descoberta. A única informação confiável,
fornecida pelos cientistas, era de que eles estavam planejando uma expedição
para as pirâmides e continuar a investigar e determinar, com certeza, se as
estruturas eram artificiais ou naturais. Nenhum detalhe foi dado sobre o
calendário da expedição.
Se os pesquisadores provarem que as pirâmides são estruturas
feitas pelo homem, a descoberta poderá levar a uma revisão da história da
humanidade
Enquanto isso, uma série de descobertas estranhas, mas
interessantes, têm sido feitas, recentement,e na Antártida. Em 2009, cientistas
encontraram partículas de pólen, o que poderia permitir afirmar que as
palmeiras cresceram na Antártica e que as temperaturas do verão chegariam 21C. Três anos depois, em 2012,
os cientistas do Instituto de Pesquisas do Deserto, em Nevada, identificaram 32
espécies de bactérias, em amostras de água, do Lago Vida na Antártida Oriental.
Uma civilização que não aparece na nossa história.
Será possível afirmar que a Antártida já foi quente o
suficiente, no passado recente, para ter permitido a existência de uma
civilização que ali viveu? E ainda mais surpreendente é a questão de saber se
os restos de uma cultura avançada e desenvolvida estarão estão enterrados sob o
gelo.
Os estudiosos e egiptólogos já suspeitavam que a Esfinge é
muito mais antiga do que o imaginado, possivelmente mais de 10.000 anos de
idade. Os cientistas descobriram que a evidência de erosão hídrica na estátua
antiga, a maior do mundo, tem uma história de mudanças climáticas a partir de
uma floresta tropical ao calor do deserto em alguns milhares de anos. Se o
clima no Egito mudou tão rapidamente, é igualmente possível que o clima da
Antártida também poderia ter mudado drasticamente ao mesmo tempo?
De acordo com a teoria da correlação Robert Bauval e Adrian
Gilbert, a construção das pirâmides de Gizé foi realizada em um período
anterior entre 12,500 ano 10.500
AC, motivando, esta retroactividade um, correlação entre
a localização das três principais pirâmides na Necrópole de Gizé e as três
estrelas da constelação de Órion, e que esta correlação foi intencionalmente
criado por pessoas que construíram as pirâmides.
A referência à data de 12.500 anos atrás é significativa
para Hancock, uma vez que a posição das pirâmides pode indicar o momento exato
em que uma civilização avançada desapareceu devido a um cataclismo global.
Em seu livro As Pegadas dos Deuses, Graham Hancock encontrou
as pistas levam a uma conclusão. De acordo com Hancock, as pirâmides foram
construídas em todas as culturas ao redor do planeta e os seus monumentos
contêm claras configurações astronômicas mais ou menos evidentes.
De antigos testemunhos de muitas comunidades – a Grande
Esfinge do Egito, os misteriosos templos de Tiahuanaco, as linhas gigantes de
Nazca, no Peru, as pirâmides maciças do Sol e da Lua no México – o estudo os
comparou com os mitos e lendas universal e mapas que datam dos tempos antigos,
sugere a existência de um povo com uma inteligência superior que possuia
tecnologia sofisticada e conhecimento científico detalhado, cuja “pegada”, no
entanto, foi completamente exterminada por um desastre de enormes proporções.
Cada cultura tem adorado os seus reis como deuses. Suas
religiões foram todas destinadas a encontrar a imortalidade da alma e seus
sacerdotes eram os astrônomos, com o conhecimento antecipado dos movimentos
celestes. A cobra-réptil é uma figura simbólica que está presente em todas as
culturas e é considerada sagrada.
Esta grande unidade cultural, de acordo com Hancock, sugere
que a civilização humana não nasceu de uma saída repentina do nada, mas foi
“ajudada” por alguém com conhecimento cultural e tecnologia avançada. A prova
que sustenta esta teoria é a expansão da agricultura.
Descobriu-se que a agricultura nasceu, simultaneamente, em,
pelo menos, seis regiões do mundo sem ligação aparente entre eles: América
Central e do Sul, o Crescente Fértil, África Central, Leste da China e do
Sudeste Asiático.
Em conclusão
Lemos com apreensão os relatórios do aquecimento global
alertando que tanto o Ártico e a Antártida estão derretendo. Muitos poderão
viver para ver o dia em que serão expostos em todo continente da Antártida, os
artefatos dos antigos que viviam lá. Se houver uma pirâmide gigante, isto irá
vai mudar o pensamento do mundo, definitivamente. Até o momento não conseguimos
recriar as grandes pirâmides. Nós simplesmente não temos a tecnologia.
Portanto, a questão é: quem, ou o quê, são que estas pirâmides na Antártida? O
que eles deixaram para trás?
Veja o vídeo das pirâmides de Antarctica, transmissão RAI
Itália:
Ressonância Schumann - Leonardo Boff
Não apenas as pessoas mais idosas mas também jovens fazem a
experiência de que tudo está se acelerando excessivamente. Ontem foi Carnaval,
dentro de pouco será Páscoa, mais um pouco, Natal.
Esse sentimento é ilusório ou tem base real?
Pela
ressonância Schumann se procura dar uma explicação.
O físico alemão W. O. Schumann constatou em 1952 que a Terra
é cercada por um campo eletromagnético poderoso que se forma entre o solo e a
parte inferior da ionosfera, cerca de 100 km acima de nós.
Esse campo possui uma ressonância (daí chamar-se ressonância
Schumann), mais ou menos constante, da ordem de 7,83 pulsações por segundo.
Funciona como uma espécie de marca-passo, responsável pelo
equilíbrio da biosfera, condição comum de todas as formas de vida.
Verificou-se também que todos os vertebrados e o nosso
cérebro são dotados da mesma frequência de 7,83 hertz. Empiricamente fez-se a
constatação de que não podemos ser saudáveis fora dessa frequência biológica
natural. Sempre que os astronautas, em razão das viagens espaciais, ficavam
fora da ressonância Schumann, adoeciam.
Mas submetidos à ação de um simulador Schumann recuperavam o
equilíbrio e a saúde. Por milhares de anos as batidas do coração da Terra
tinham essa frequência de pulsações e a vida se desenrolava em relativo
equilíbrio ecológico.
Ocorre que a partir dos anos 80, e de forma mais acentuada a
partir dos anos 90, a frequência passou de 7,83 para 11 e para 13 hertz por segundo.
O coração da Terra disparou.
Coincidentemente, desequilíbrios ecológicos se fizeram
sentir: perturbações climáticas, maior atividade dos vulcões, crescimento de
tensões e conflitos no mundo e aumento geral de comportamentos desviantes nas
pessoas, entre outros.
Devido à aceleração geral, a jornada de 24 horas, na
verdade, é somente de 16 horas. Portanto, a percepção de que tudo está passando
rápido demais não é ilusória, mas teria base real nesse transtorno da
ressonância Schumann.
Gaia, esse super-organismo vivo que é a Mãe Terra, deverá
estar buscando formas de retornar a seu equilíbrio natural. E vai consegui-lo,
mas não sabemos a que preço, a ser pago pela biosfera e pelos seres humanos.
Aqui abre-se o espaço para grupos esotéricos e outros
futuristas projetarem cenários, ora dramáticos, com catástrofes terríveis, ora
esperançosos, como a irrupção da quarta dimensão, pela qual todos seremos mais
intuitivos, mais espirituais e mais sintonizados com o biorritmo da Terra.
Não pretendo reforçar esse tipo de leitura.
Apenas enfatizo
a tese recorrente entre grandes cosmólogos e biólogos de que a Terra é,
efetivamente, um super-organismo vivo, de que Terra e humanidade formamos uma
única entidade, como os astronautas testemunham de suas naves espaciais.
Nós, seres humanos, somos Terra que sente, pensa, ama e
venera. Porque somos isso, possuímos a mesma natureza bioelétrica e estamos
envoltos pelas mesmas ondas ressonantes Schumann.
Se queremos que a Terra reencontre seu equilíbrio, devemos
começar por nós mesmos: fazer tudo sem estresse, com mais serenidade, com mais
amor, que é uma energia essencialmente harmonizadora.
Para isso importa termos coragem de ser anti-cultura
dominante, que nos obriga a ser cada vez mais competitivos e efetivos.
Precisamos respirar juntos com a Terra, para conspirar com
ela pela paz.
·
Leonardo Boff, teólogo e professor da Uerj
(Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Artigo obtido no JB on line
(www.jbonline.com.br), edição de 05/março/2004
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