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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Retrocolonização

Não é o primeiro filme que assisto que fala das tolerâncias (e principalmente intolerâncias) raciais no primeiro mundo. Franceses, Ingleses, Holandeses, Espanhóis e Americanos são os que mais tratam desta matéria pelo noticiário e documentários que circulam.
São também os países que mais violentamente foram invasores-colonizadores de outras nações, tentando impor a estas suas vontades, cultura e religião, e ainda roubando-lhes as riquezas.
Isto não é uma história do passado, o Iraque é um exemplo vivo desta postura, a invasão não teve foco em terroristas, mas no controle do petróleo que o primeiro mundo tanto precisa.

Tanto influenciaram os povos dos países colonizados que conseguiram convence-los que eram melhores.
E esses mesmos invadidos resolveram então conhecer melhor aqueles paraísos propalados pelos invasores, e foram, satisfazendo as necessidades do conforto do primeiro mundo onde os serviços de 2a. categoria poderiam ser realizados por esses imigrantes, a custos menores.
Isso era muito bom com uma economia pungente (e mentirosa como vemos agora).
Os cidadãos do primeiro mundo tem padrões de vida muito superiores a nós do submundo deles, padrão esse baseado na exploração econômica que sempre fizeram desde as grandes navegações.

Mas as coisas estão mudando, muito do dinheiro especulativo vazou pelos ralos da economia de fachada que as bolsas representam, e muitos daqueles que podiam ficar sentados em berço esplêndido, vivendo de rendas, terão que, literalmente, tecer suas rendas para poder comer o pão de cada dia.
Agora os empregos de 2a. categoria voltaram a ser cobiçados pelos cidadão de 1a. categoria.
E os tais cidadãos de 2a. categoria (os tais imigrantes) viraram um incômodo nesta nova realidade.
Disputam vagas de trabalho por preços menores que os nativos do primeiro mundo.
Roubam-lhes os empregos. Coitados não?

Não bastasse isso, hoje já não se trata mais de imigrantes, são segundas e terceiras gerações que já são cidadãs destes países.
Não formam a mesma nação, mantém muito de sua cultura original, mas estão ali, incrustados em guetos, incomodando a civilização moderna do primeiro mundo.

Os invadidos viraram invasores.
A colonização deu origem à retrocolonização, coisa nova, difícil de assimilar, mas muito real.
Um tipo de invasão sem armas, sem tentar impor costumes e culturas alienígenas, mas que pede respeito às suas próprias culturas.
Uma invasão muito difícil de ser defendida sem que se firam princípios básicos de direitos humanos.
A Espanha tenta fazer bloqueios ridículos, esquecendo que foi ela que dizimou todas as civilizações maias, incas e astecas, fora as levas de índios latino-americanos que assassinou brutalmente.
Agora não aceitam os "chicos" que querem para lá emigrar para tentar uma vida melhor.
Devolvem todos do próprio aeroporto.
Deveríamos ter mais vergonha na cara e bloquear a vinda deles para o terceiro mundo tanto para fazer negócios (para dar-lhes lucros servimos), como para trazer suas taras insanas alimentando aqui prostituição que tentam coibir lá.

É, realmente são tempos de mudanças.
São tempos em que a tolerância cultural, racial, sexual, religiosa se impõe.
Onde a prepotência do dinheiro fácil está acabando, a especulação (que tanto mal nos fez nos tempos de inflação) está mostrando que pode contaminar também em economias ditas civilizadas (que agora vemos que não são tanto assim).

Um novo desenho político e econômico está sendo construído.
O resultado disso só os historiadores do futuro poderão descrever.

Fico me perguntando, qual o nosso papel nesta nova ordem das coisas?
Temos algo a ensinar, se quiserem ouvir.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Conta o Protecionismo do Primeiro Mundo

Estamos vendo fenômenos bem naturais da índole humana, aquela que busca a auto-defesa.
Xenofobia na Europa e protecionismo em alta em todo o Primeiro Mundo.
O que resta de poder aos países emergentes como o nosso?
Fechar o mercado também, mas de forma mais radical, mas também simples.
Bloquear a remessa de lucros das multinacionais que exploram nossos mercados.
Não é retaliação, nem estamos chavisticamente estatizando empresas privadas, estamos somente reservando o direito de exigir o reinvestimento do lucro obtido com nosso mercado, em nosso próprio país.
É simples, fácil de controlar, e bastante eficaz.
Não tendo como mandar lucros para cobrir os rombos do primeiro mundo, restará ao capital que explora nosso mercado investir aqui ou dormir com o colchão cheio de inúteis dólares e euros.
É isso.

Papa, ora Papa!

É estarrecedor ver uma notícia como esta:
ROMA - Quem participou do processo de interrupção do sistema de alimentação que mantinha viva a italiana Eluana Englaro será excomungado da Igreja Católica, informou nesta segunda-feira o secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, monsenhor Albert Malcolm Ranjith.
Em declarações ao site Papanews, Ranjith revelou que quem "colaborar em qualquer nível com a morte de Eluana" não poderá mais comungar pela Igreja Católica. Segundo ele, a excomunhão valerá para "políticos, médicos, legisladores e familiares da paciente".

A igreja católica já age de modo pouco político, e fascista como sempre foi seu hábito.
Papas mais inteligentes como o último falecido fez mais média, cara de bonzinho e tentava conviver com as diferenças.
Agora vem um fascista de primeira linha (e nacionalidade) e quer excomungar quem ajuda alguém a morrer de uma morte natural (a mesma que ele diz defender) na mesma matéria .
Penso que a excomunhão prometida pelo Malcolm Ranjith será uma flechada no ar, não atingirá ninguém. Ninguém que pense com o bom senso de terminar com a agonia de uma família e de uma alma aprisionada em um corpo inerte.
Papazito, não excomungará ninguém, mas provavelmente expulsará mais um monte de católicos que dia a dia compreendem mais as anomalias dessa igreja.
Que bom Papa, que bom que mostre as garras e as posições fascistas que a igreja católica tem e que, salvo raras e honrosas excessões, sempre teve.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Reconstruir as casas ou a cidadania

Santa Catarina não está abandonada.
O Brasil todo vela por eles, e ajuda tanto quanto o possível.
Mas a melhor ajuda, não é essa emergencial, é aquela de longo prazo, que resolverá - ou ao menos minimizará - os efeitos de catástrofes como esta.
Povo lutador, e orgulhoso de sua capacidade de luta. Esses são os catarinenses.
Vira-latas de sangue original alemão, italiano e português são lutadores e poderão dar um grande exemplo de superação para todo o mundo.
Mas eu sonho que ali poderia surgir algo mais que uma reconstrução de casas.
Não sei se feliz ou infelizmente, muitas casas perderam seus terrenos onde serem reconstruídas, e muitas que aparentemente não perderam o terreno, assim deveriam ser consideradas pelo poder público pelo grau de risco dos mesmos.
A primeira providência seria parar de tratar a coisa pública "com o jeitinho brasileiro" e ser mais rigoroso no combate às irregularidades urbanas.
Que tal pensar em uma reconstrução com "áreas de risco" zeradas?
A expressão "área de risco" subentende o "de vida", sim risco de vida, é isso que quer dizer.
Como pode um homem público omitir-se de suas responsabilidades, sujeitando pessoas ao risco de vida (ou da morte como gostam os mais "muderninhos") de modo deliberado?
Não todos, mas alguns ou muitos dos óbitos de Santa Catarina tiveram origem na irresponsabilidade civil de agentes de governo, civil antes, agora seria criminal se estivéssemos em um país mais sério.

Mas Santa Catarina pode apresentar um novo método de reconstrução, que envolva a complexidade necessária na abordagem do simples morar.

Tudo começa em casa.
Com esse mote poder-se-ia reorganizar os espaços urbanos residenciais, promovendo cidadania, infra-estrutura comunitária e claro casas decentes, bem construídas e baratas.

Em tempos de crise como os atuais, seria também interessante que esses processos gerassem empregos e dessem especialização e renda para os envolvidos.

Construtivamente há várias técnicas possíveis de serem utilizadas, mas não é só isso que deve ser levado em conta.

O modo de realizar as obras são talvez mais importantes que a técnica.
Os projetos de mutirão são aqueles que tendem a melhor organizar a comunidade e o senso de cidadania dos seus moradores.
É também o mais adequado para a personalização das moradias de acordo com as necessidades, desejos e recursos de cada família.

Os projetos urbanísticos devem contar com equipamentos comunitários que aglutinem os moradores em tarefas de interesse comuns, tais como hortas, centro de trabalhos artesanais, creche, quadras esportivas e outros.

Mas o mutirão não pode se basear somente na produção dos interessados, pois aí corre o risco de se alongar demais, desestimulando a participação e comprometendo o processo.
A participação dos interessados tem que ser a necessária e suficiente para desenvolver o senso de cidadania, colaboração e convivência que precisa existir para que uma comunidade se desenvolva sadia, sem ficar subjugada aos interesses de marginais, como freqüentemente se vê em comunidades desenvolvidas sem essas preocupações.

Desde o tempo dos três porquinhos sabemos a importância do tijolo como elemento construtivo que alia resistência, isolamento termo-acústico, facilidade de manuseio e baixo custo.
Os ingleses, pais do tijolo, no pós guerra desenvolveram um tijolo mais produtivo para a reconstrução daquele país. O bloco de concreto.

Perfeitamente adaptado para o Brasil, foi e é muito utilizado, apesar de sofrer preconceitos infundados por parte de nossa população.
É um bom produto para esses processos, mas perde para o chamado tijolo ecológico por vários fatores:
1. Consome muito menos cimento que o bloco de concreto na sua manufatura, e o cimento além de caro consome muita energia para ser produzido. É o insumo nobre nestes produtos.
2. Usando o solo-cimento, só utiliza de areia para certos tipos de solo que, após a analise dosa a necessidade exata desta na mistura para se ter um produto de boa qualidade. Poupar areia é poupar sua fonte, a energia de extração e o transporte para chegar na obra.
3. As instalações para produção são do mesmo porte, até menor, que aquela necessária para produzir blocos de concreto, podendo ser transportada para novos canteiros, ou ainda virar fonte de renda para quem participou do projeto.
4. O método construtivo é mais fácil, seguro, e rápido que utilizando o bloco de concreto, pois são colados e eliminam a argamassa de assentamento, que também consomem cimento e areia.
5. Elimina toda perda de material na construção, não sobra entulho neste tipo de construção.
6. É um método que valoriza a hora-homem dos profissionais envolvidos, pois a produtividade é muito mais alta que nos processos tradicionais.

Com um investimento inferior a 50 mil reais, pode-se produzir cerca de 100 mil tijolos por mês o que daria para fazer 16 casas por mês, ou 192 casas em um ano, com custos bem reduzidos, pois o insumo mais caro que é o cimento é utilizado em baixo teor na mistura, o solo pode ser utilizado do próprio local ou proximidade e dependendo de sua granulometria pode-se até dispensar a adição de areia.

... continua

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O Flagelo de Santa Catarina

Quando estamos no meio de uma catástrofe, não nos damos conta de sua extensão, não há tempo para avaliações reais do ocorrido.
É assim que acontece agora com as dezenas de cidades de Santa Catarina, que a exemplo de São Paulo tem um santo no nome que parece, por vezes muitas, desprezar seus cidadãos, deixá-los à própria sorte.

Mas há um fator que precisa ser levado em conta: a inoperância do poder público na regulação do uso do solo.
Claro que o cataclismo tem origens atmosféricas inusitadas, e o fator natureza tem a maior relevância no desespero dos catarinenses, mas a irresponsabilidade dos homens tem grande dose de culpa.
Os mais graves acidentes se deram em encostas, são barreiras (barro e água, não no sentido obstáculo) que levam casas, interrompem estradas, explodem gasodutos e nas baixadas onde soterram imóveis e pessoas, aniquilando-os.
As barreiras são da natureza, e ao olharmos para a ocupação urbana de nossas cidades conseguimos facilmente encontrar áreas que não deveriam estar ocupadas, e que a Defesa Civil se limita a chamar de área de risco.
Se é de risco, não deveria estar ocupada, mais dia menos dia poderá se tornar mais uma tragédia como a que assistimos hoje.

Alguém aprovou a utilização do solo nestas encostas ou, no mínimo, fez vistas grossas para essa ocupação.

Mas o que me preocupa, não é a falta de respeito ao cidadão deixando-os à própria sorte, quando esse não tem competência técnica para saber o que faz.
As prefeituras são orgãos reguladores que tem por obrigação proteger o uso do seu solo, antes de ser uma propriedade de alguém, o solo é do município, é o poder municipal que pode fazer com que uma terra seja mais ou menos valorizada.
É a prefeitura que acaba definindo, pela sua gestão, o valor dos imóveis em sua área urbana. Quanto melhor a gestão, mais pessoas irão querer viver lá, e maior o valor dos imóveis no seu município.

Mas a ganância, o descaso com os homens, e os interesses individuais acabam preponderando na questão do uso e ocupação do solo.
As chamadas áreas de risco não deveriam estar ocupadas em qualquer cidade, elas são a certeza de mortes, perdas, e tristezas como estas que vemos em Santa Catarina.

Se fosse católico talvez eu rezasse por eles, mas fica difícil quando a própria santa os deixou na mão (mera figura de retórica).
Invés de rezar, prefiro acreditar que as pessoas encarregadas do uso e ocupação do solo de cada uma destas cidades atingidas, no mínimo em consideração aos seus mortos, passarão a ser mais responsáveis com seu trabalho, buscando eliminar essas ocupações em áreas de risco.

Mas há o risco ambiental, que matará a mais longo prazo, mas matará muita gente.
Mas isso é outra história, vamos ao menos salvar as pessoas que estão morrendo ou perdendo o pouco que teem, tanto pela água como pelo fogo (muito comum em favelas).

A ter governos como esses que assistimos hoje, prefiro não te-los. Deixam-nos à própria sorte em tudo o que nos é essencial para a vida, melhor mesmo seria não existissem.

Mas qual é a alternativa?
Acho que ela começa a existir por aqui, mas isso é assunto para depois.

É isso.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A escalada das Bolsas

Tem um ponto de taxi aqui em frente de casa.
Nunca vi como os caras ficam fofocando sobre tudo, nos seus muitos momentos de ociosidade. Não gosto do que vejo, são pessoas que não tendo o que fazer, tem "todo o tempo do mundo" para articular seu corporativismo.

A mesma coisa deve acontecer nos presídios.
O ócio cria oportunidades infinitas, como PCC's e CV's.

Li outro dia que a origem das bolsas se deu nessa mesma trilha.
Lá pelos idos do século XVII ou XVIII se juntavam uns desocupados, com posses, e ficavam trocando participação neste ou naquele negócio.
Trabalhar mesmo que é bom ninguém trabalhava, só comprava e vendia, ganhava e perdia e pronto.
Se aproveitavam do fato dos negócios necessitarem de dinheiro, e tendo-o disponível investiam nos negócios contra papéis e rendimentos baseados no lucro dos mesmos.

É o como o capital podia ajudar a produção e ser ajudado por render lucros oriundos dos negócios.
É uma regra justa, que remunerava o capital através do trabalho que este patrocinava.

Acontece que, nesta roda de bar (que é onde realmente nasceram as bolsas)surgiram os expertos, que mesmo sem ter realizado o lucro, começaram a vender suas ações a outros, recebendo uma parte deste lucro ainda não realizado.

Começa aí uma inversão de valores: a economia fica à mercê do mundo financeiro.

A UE tem um Banco Central que a representa, e que, se fizer o real papel de um BC deveria regular o mercado financeiro de modo a garantir-lhe credibilidade.
Mas parece que isso não aconteceu, a crença suprema no mercado os enganou.

Li ontem que Isaac Newton no século XVIII, após ter perdido 20.000 libras na Bolsa de Londres disse: "Eu consigo calcular o movimento das estrelas, mas não a loucura dos Homens".
Ele já declarava aí a distância que existia entre especulação e realidade.

Nunca gostei de jogos, mais ainda daqueles que se ganha e perde dinheiro ganho com trabalho.
Essa é a bolsa que Newton não conseguia entender.

Essa é a bolsa que ninguém pode entender, a bolsa dos jogadores, não de quem produz.
Se uma empresa chinesa ou indiana ou koreana resolvesse comprar a GM pelo preço de suas ações iria deter um patrimônio incomensurável, tanto no que tange ao seu parque produtivo, mas como, principalmente, no que diz respeito ao seu know-how.
E isso pode acontecer, não está descartado.

O mundo real está à mercê dos jogadores.
Os governos, nada mais fazem que alimentar esse jogo quando alimentam o sistema com um dinheiro que, na maioria das vezes, ainda não existe ou que será recolhido com os impostos dos seus cidadãos (caso eles venham se o jogo der certo).

Nada está mudando enquanto o jogo continuar.
São jogos de cena dos espertinhos do mundo financeiro, aliados com os governos.
Isso não vai levar a nada, não adianta usar o conhecimento sobre o que houve na grande depressão de 29, o quadro é muito mais complexo, e a crise mais profunda.

Acredito que ela mal começou, e que muitas mazelas ainda serão vistas enquanto acreditar-se que a economia se faz com o jogo de capitais.
A economia se faz com o trabalho, seria simples entender, não fosse o mundo atual tão cheio de maus caracteres.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Quanto Ufanismo!

Tive que tomar chá de boldo para me desintoxicar da bobageira que ouvi nos vários jornais de hoje sobre a eleição de Obama nos EUA.

Os repórteres empolgadíssimos falando da eleição do primeiro negro nos EUA, como se isso fosse realmente fazer uma grande diferença. Será?

Na África, ainda hoje, negros massacram negros numa atitude bárbara inimaginável no século XXI, que quer dizer, não é porque é negro que vai ser bonzinho e resolver todas as mazelas do mundo.
Não vai!
Seria pedir demais para o garoto "mais poderoso do mundo".

Ainda bem que esse dito negão americano não passava de mulato se fosse aqui no Brasil. A mãe é branca, e a alma será branca (ops! isso já é racismo de minha parte esqueçam que escrevi).

Tá bom, não quero dizer que o McCain seria melhor, mas também o quanto pior ele seria não podemos mais avaliar.
Claro que torci para o Obama, como a maioria do mundo.
Mas não me engano com a postura norte americana.
Seu egocentrismo não será amainado sem uma forte crise e o provável destronamento dos EUA como "maior economia do mundo".
Afinal, atualmente o que eles tem de maior são suas dívidas, suas incompetências administrativo-financeiras ou, como penso, sua imensa falta de ética em criar uma jogatina financeira baseada em valores irreais da sociedade americana, tais como o valor de seus imóveis, de suas empresas, etc.
Todo o mundo acreditou nas palavras do "mercado americano" e juntos especularam ao máximo, daí veio o estelionato atual. As perdas serão imensas, mas serão perdas para quem vinha ganhando muito e despropositadamente, não é o que me preocupa.

Temos que ter em mente que todos os problemas econômicos estão aí para detonar com qualquer presidente eleito nos EUA (ou outra nação qualquer), caso não se faça uma mudança de paradigma.

Israel ataca seriamente a Palestina no dia da eleição do “querido negão americano” (não é hipocrisia não acho que o Obama tem cara de gente boa mesmo), numa atitude que mostra o desprestígio dos democratas em áreas de atrito internacionais.
O capital judeu nos EUA e a sua indústria armamentista, que alimentam Israel, não querem saber de Paz querem a guerra, pelas mais disparatadas justificativas que escondem os reais interesses que são o lucro, o petróleo e a invasão de território alheio.

O que fará Obama?
Apesar do nome parecido ele não é Ozama, e não pode lançar mão dos métodos deste no trato da política externa americana. O Bush tentou e se deu mal, e não foi porque o nome não era parecido.

Vale a enquete: Quem é mais terrorista o Ozama ou o Bush?

Será que tudo o que o Obama aprendeu na vida, sobre conviver com as diferenças, irá conseguir as mudanças de paradigmas na política externa dos EUA e seus aliados para que saiam desta posição guerreira, absolutamente equivocada nos tempos atuais?

Vamos ver, pois não esqueço que foi um democrata (Lyndon Johnson) que resolveu mandar tropas para o Vietnã em 1965 e foi um republicano (o Nixon) que resolveu sair de fininha de lá com o rabo entre as pernas.

E sobre a economia?
O democrata Clinton administrou junto com o John Major e Toni Blair a idéia lançada por Margaret Tacher do último golpe do primeiro mundo chamado globalização.
Provocaram a privatização de tudo o que foi possível, e propuseram o mercado como o grande agente econômico.
Deu no que deu, o tal mercado mostrou que é feito de crupiês experimentados em enganar a massa de jogadores.
O mercado prefere jogar com o dinheiro (finanças) do que propiciar bases sólidas para o desenvolvimento dos meios produtivos (economia), pois este último dá muito trabalho.

O fortalecimento do mercado exigia a privatização dos serviços prestados pelos estados, pois o mercado era melhor gestos dos negócios. Aqui no Brasil, o FHC se aliou à essa globalização e privatizou telefonia, eletricidade e muito mais.
Financiou muitas empresas estrangeiras com dinheiro do BNDES (que entendo ser do povo) no processo de privatização.
O povo passou a pagar duas, três vezes mais pelos serviços, quem viveu o processo se lembra.
Será que tinha que ser assim? Não acredito, que teve malversação da coisa pública, ah teve.

E agora?
O Secretário do Tesouro do Clinton parece que vai ter papel importante na política econômica do Obama, será que mudará de postura?

O estado americano já começou sua caminhada intervencionista, ajudando bancos para manter a credibilidade em um sistema financeiro que está falido.

Esses altos e baixos que ocorrem nas bolsas mundo afora, são só parte do jogo para alguns saírem com menor prejuízo em detrimento de outros que acabaram perdendo mais e mais.
Jogo é jogo, uns (poucos e espertos) ganham e outros perdem.

O primeiro ministro inglês Brown foi mais inteligente no seu intervencionismo, falando em comprar ações das instituições falidas, para depois de recompostas, poderem vender sem tanto prejuízo.
Só não disse depois de quantos anos, ou décadas.
Qual o tempo necessário para a economia real do mundo crescer 2 a 3 vezes para resgatar o valor desses títulos podres?
Ninguém sabe.
O Bush e seu secretário de tesouro estão tentando copiar a fórmula inglesa (que também se espalhou por outros países europeus).
Será que o Obama vai manter essa postura? Antes, como candidato, apoiava. Temos que ver para crer.

O fato é que o imbróglio em que se meteram as economias do primeiro mundo, guiadas pelo estelionato pós-moderno americano, não permitirá muita margem de manobra.
A mentira foi exposta.

Hoje é o day-after das eleições americanas.
O discurso da vitória do Obama foi muito lúcido, sem ufanismos. Gostei.

Mas pela "vacância presidencial" exercida pelo Bush nos últimos meses, cabe ao Obama as ações práticas para promover mudanças que devem iniciar-se já.
Não dá para esperar o fim do mandato do "guerreiro vencido" Bush.
A crise se acirra cada vez mais, não nos iludamos, e finda a festa das eleições americanas o mundo voltará à triste realidade do esfacelamento econômico.

Um novo equilíbrio mundial deve ser estabelecido rapidamente, e o primeiro mundo deve ter a humildade de reconhecer as possibilidades dos mercados emergentes e dos outros que ainda estão submersos no abandono a que foram submetidos.

Não adianta o FMI ficar pressionando para que os emergentes ajudem a economia do primeiro mundo, com uma risível proposta de empréstimo a fundo perdido, pois eles tem que resolver suas próprias crises, estimulando seus mercados internos para suprir a falta que fará os mercados de primeiro mundo, que acabarão por ter que se contentar com um novo modo de vida.
Isto poderá garantir um mínimo de estabilidade e crescimento de suas economias ajudando, aí sim, resto do mundo.
Afinal o capital produtivo do primeiro mundo está entranhado em todas as economias emergentes e delas poderá auferir o lucro que não conseguirá nos seus países de origem, enquanto esses procuram se reorganizar nestes novos paradigmas. Mas o ganho é de um investimento produtivo, não de uma jogatina especulativa.

O fato é que a ciranda financeira (lembram do termo usado a tempos atrás aqui no Brasil) mundial deverá terminar, pois caso contrário o descalabro financeiro atual irá causar um colapso econômico irreparável, e a curto prazo.
Isto já está acontecendo quando vemos indústrias no mundo todo fechando as portas de muitas fábricas ou quando vemos cidadãos americanos acampados ou morando em automóveis por terem vergonha de declarar aos seus familiares a falência pessoal, ao pedir ajuda.

A exploração exacerbada que os países desenvolvidos fizeram ao longo dos últimos séculos contra os pobres do mundo têm que acabar, não está dando certo, quer seja pela invasão de emigrantes terceiromundistas procurando melhores oportunidades de vista, seja pelos conflitos infindáveis para manter territórios alheios sob controle.

Não tem jeito, vamos encarar a realidade de que não haverá milagres.
Temos que continuar conquistando espaços e direitos.