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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

E se o mundo acabar amanhã

-         Oi José, me cumprimentou João.
-         Oi - devolvi.
-         Já sabe da última? – perguntei.
-         Não –respondeu.
-         O mundo acaba amanhã! -  disse eu, sem muita ênfase.
-         É mesmo? – falou João também sem muito espanto, ou incrédulo não sei – mas é só para você ou para todos?
-         Para todos – respondi.
-         Xi! – tenho que me apressar – ele retruca.
-         Eu já estou apressado – coloquei...
-         Ele: mas que pressa é essa que te deixa prosear comigo?
-         A pressa de quem não quer deixar nada pra trás, muito menos a companhia de um amigo. Sabe, o que não fiz até agora por ti, ou contigo, devemos fazer agora... ou nunca mais.
-         É verdade – João falou pensativo.
-         Mas é tanta coisa... continuou.
-         Faz mal não, pouco é mais que nada, pouco que seja será muito, melhor: será tudo!
-         Sabe – falou João – tenho umas pendengas que quero resolver contigo sim. Melhor não deixar pra depois. Vamos sentar naquele bar, pedir uma geladinha e conversar. Tirar a limpo essas besteiras!
Sentamos, pedimos a geladinha e um quebra-gelo, e disse-lhe: diga aí, quais as pendengas?
João tomou o quebra-gelo, olhou para o mar, que ficava ali em frente... sentiu a brisa a acariciar-lhe. Respirou fundo e disse: pendenga nenhuma vale esse momento, me dá um abraço e vamos tomar essa geladinha em silêncio, em homenagem ao fim do mundo.
Brindemos ao fim do mundo! 
Vamos molhar os pés no mar... – completou inebriado.
Lá, descalços, entretidos e calados junto à imensidão do mar João me diz: e se não acabar?
O que? disse-lhe.
E se o mundo não acabar amanhã? Que faremos? – me perguntou o amigo.
Agente se encontra, toma o quebra-gelo e a geladinha, tira os sapatos e vêm de novo molhar os pés nessa água morninha – eu disse – e se perdoa novamente.
Dito e feito. O Mundo não acabou no dia seguinte.
Encontrei João com Cleide, sua mulher. Levei a Isaura – amiga minha – para o quebra-gelo, a geladinha e o pé no mar.
Depois de alguns meses éramos milhares, molhando os pés no meio de uma tarde de expediente normal, depois de um quebra-gelo e de uma (ou mais) geladinhas. Todos acreditando que amanhã o mundo iria acabar, e o que hoje não for feito, amanhã não o será.
Todos perdoaram a si mesmos e aos outros.
Eram felizes e amavam-se numa grande corrente...

Foram dias de paz...

domingo, 6 de outubro de 2013

Troca-Troca Sem Trocar Nada

Esta foi uma semana de troca-troca de partido para os políticos brasileiros.
A desfaçatez é odiosa, o bailar entre os partidos mostra que não há princípios programáticos e/ou ideológicos nas carreiras dos políticos brasileiros.
São totalmente prostituídos pelo poder. Exceções que me desculpem, sei que as há.
Mas a grande massa é sim de pessoas sem caráter que fazem qualquer negócio para se eleger e se locupletar nas tetas do estado.
Reforma Política
Nunca teremos uma reforma política oriunda das quadrilhas que se instalaram no estado brasileiro, percamos a esperança.
Só saindo às ruas, exigindo uma constituinte específica para a reforma política, onde os constituintes seriam eleitos unicamente para essa finalidade e se tornariam automaticamente inelegíveis para o resto de suas vidas. Isso iria garantir que não estariam legislando em causa própria.
Nosso país é o único no mundo que paga vereadores. Nossos orçamentos legislativos são dezenas de vezes maiores que o de qualquer outro país no mundo. Nosso judiciário é inepto, um palco de falastrões que tornaram nossa justiça uma piada, e de muito mal gosto diga-se de passagem.
Voltando ao Troca-Troca
Ficou clara a manipulação dos TRE´s para não permitir o registro da Rede da Marina.
O PT temia essa Rede balançando, essa é a metáfora que melhor explica o pavor de um segundo turno entre Marina e Dilma, a primeira levaria o cedro com certeza, até porque a própria bancada evangélica vê nela uma melhor interlocutora. As oposições poderiam se reorganizar e tentar uma coalizão que tornasse o país governável com um mínimo de bom senso, coisa que hoje não há.
O governo havia fomentado a criação desse partideco PRÓS pois seria o refúgio de uma horda de cooptados para virem apoiar o desgoverno atual. Excrecências politicas como os irmãos Gomes são exemplo claro disso. O Solidariedade tinha seu risco calculado, não assusta ninguém, não será um CONTRAS como a Rede Sustentabilidade poderia ser.
A enfraquecida Marina ficaria então no mato sem cachorro e pararia de incomodar, não fosse ela se acomodar em outro partido.
Mas às vezes uma união pode ser prematura.
Explico: no conjunto dos que votariam no E.Campos alguns podem não gostar da Marina e vice-versa, será que votariam numa chapa única no primeiro turno?
Eu pessoalmente não tenho muita afinidade nem confiança no discurso dela, mas quanto ao PSB acho que pode ser um partido mais à esquerda e por novas militâncias tendendo a ser mais honesto e ético, se é que dá para acreditar em ética na política brasileira.

Penso que seria melhor a Marina em outro partido e o E.Campos no seu.
A estada dela em qualquer partido será sempre provisória pois ela acabará tendo a Rede validada, não há como escapar é um dos poucos partidos que mantém uma identidade no Brasil, posso até não concordar com eles mas é óbvio seu direito de existir.

A definição entre situação e oposição deveria sempre ser feita no segundo turno, pois é nele que todos unidos entre situação e oposição poderão pender contra a permanência do PT.
Até porque a democracia precisa da alternância no poder senão tudo emperra e se corrompe como hoje vemos acontecer.

Decisão Fora Das Urnas
Mas as decisões eleitorais não passam só pelo jogo político, sabemos que a economia, essa sim, tem um grande poder na opinião do eleitor.
Ontem tentei entrar no supermercado e desisti na porta, foi quando me lembrei que era o dia do pagamento de muitos assalariados.
Me veio à mente o período de hiperinflação quando corríamos ao supermercado pois diferença de horas poderiam nos fazer levar menos leite ou açúcar para casa.
As filas de ontem com carrinhos cheios é uma declaração explicita do medo do povo quanto à volta da inflação que apesar de índices "controláveis" segundo o governo, pesam muito mais na realidade do dia a dia de nossas famílias que vem valores de aumento de preços do que nos é fundamental bem maiores que esses índices oficiais altamente desconfiáveis.
Aí a porca torcerá o rabo e falsas promessas se tornarão inócuas.

sábado, 7 de setembro de 2013

O Tiro e a Culatra



E daí o PM subiu a favela, cansado chegou no barraco e falou pra mulher: o dia hoje foi de matar vivi 10 em 1, to acabado, preciso de um banho e dormir.
A mulher nem se mexeu. Tava noutro mundo.
Pôrrra mulher, não disse que tou travado preciso descansar, tem um ranginho pra encher o bucho?
E ela nada.
Já perdendo a paciência e quase levantando a mão prum tabefe quando ela lhe olhou e disse: nosso filho foi baleado, ta no hospital...
O policial gelou.
-Como, disse ele, que merda deu? Quem foi o filho da puta que baleou meu filho foi o Pó Branco, mato esse desgraçado!
- Pára, falou a Emengarda sua mulher, foi baleado por um policial.

-Quer droga os caras do BOPE subiram por aqui, não era a bola da vez, confirmaram pra mim.
-Nada, falou a mulher, foi lá no asfalto.
-Asfalto? Que merda foi fazer aquele moleque no asfalto?
-Os amigos disseram que era para se manifestar, e ele foi.
-Que que sabe esse moleque do que é se manifestar?
-Sei lá, disse a mulher, sei que foi, tinha um bando descendo a comunidade.
-Merda, pra que agente cria um filho se ele não obedece agente? Eu tenho que obedecer aquele porra do sargento que só quer ficar no celular com as putas, ou nem sei mais com quem, melhor nem perguntar.
-O fato, disse a mulher, é que ele está no hospital e eu ainda nem pude ir lá.
-O que agente faz?
-Um de nós tem que ir não aguento mais de aflição.
-Vai você então eu estou mais que cansado.
-Não, disse ela, vai você, é policial e pode conseguir alguma prioridade em relação ao povão que fica lá na fila.
-Tá bom, fui.
No Hospital
-Dona enfermeira, meu filho foi baleado e vim ver como está.
-Tá soldado, sei que é da PM, pode entrar, mas vou logo avisando, foi um colega seu que baleou o guri, mas fique tranquilo era bala de borracha, o estrago não pode ter sido grande.
-Brigado, mas onde mesmo tenho que ir?
-Siga o corredor, não olhe muito pro lado, e é melhor tirar o quepe, o pessoal que está por ali não vai gostar muito da tua cara.
-Brigado de novo.
Depois de um oba-oba no corredor, e de uma  incerteza de onde procurar, encontrou um cara que informou que o filho estava no quarto tal.
Chegando ao quarto, tinha um monte de guris e gurias por ali. 
E ele foi olhando aqueles ferimentos idiotas e por fim encontrou José – seu filho.
-Oi Zé, que merda  você foi fazer na manifestação?
-Não adianta falar com ele, disse a enfermeira, está temporariamente surdo. E com esses tapa-olhos nem sabe que o Sr. está aqui.
-Surdo, porque? Disse o milico.
-Bomba de efeito moral, mas 90% dos casos se recuperam em 30, 60 ou até 180 dias acabam voltando a ouvir.
-E os tapa-olho porque? Falou já entendendo a gravidade do problema.
-É para deixá-lo calmo, só um dos olhos foi atingido por uma bala de borracha, deve ter perdido a visão se não for mais grave (-o cérebro, balbuciou a enfermeira como se o coitado pudesse ouvir algo).
-Qual olho? perguntou o policial.
-O direito, disse a enfermeira.
-Então do esquerdo ele pode me ver? Perguntou.
-Sim, mas provoca dor no menino.
-Mesmo assim, me ajude enfermeira, preciso que me veja, é meu filho pô!
-Pai! Falou o Zé, e apertou a mão do velho como que se consolando com uma presença conhecida, ou algo assim.
-Filho... a enfermeira voltou a dizer: ele não escuta.
Com uma prancheta o pai perguntou pro filho o que tinha ido fazer lá.
O jovem balbuciou: o que todos meus amigos estavam fazendo reclamando das condições de vida que temos.
-Mas numa manifestação? Garranchou o pai na prancheta.
-É pai, e a minha hora, ou faço agora ou nunca, você teve a sua.
-Que foi o maldito que lhe deu o tiro, garranchou mais uma vez.
-Pai, foi você, na hora do estampido olhei pra direção do barulho e quase vi a bala vindo na minha direção, atrás dela tava você com a tal espingarda que diz que num faz mal. Num faz mal pra quem pai?

domingo, 4 de agosto de 2013

Drogas e Crimes

Hoje na Folha de São Paulo Clovis Rossi publica coluna onde mostra que vê com bons olhos o que o Uruguai está tentando fazer liberando a maconha. Já o Ferreira Goular, nesta mesma FSP se mostra contrário à essa liberação das drogas, e defende uma forte ação de conscientização da juventude quanto ao malefício das drogas.
Recorri novamente ao Admirável Mundo Novo de Huxley, onde a sociedade havia desenvolvido uma droga lícita e distribuída/controlada pelo estado.
Lendo um pouco sobre esse último autor, soube que o mesmo tem forte formação acadêmica em ciências humanas e fiquei até pensando que ele talvez tenha escrito esse livro como uma tese insustentável no meio acadêmico e só possível no universo da ficção.
De qualquer modo acho que o livro é mais que uma ficção, é uma premonição do que iria ocorrer num futuro do qual hoje somos contemporâneos.
Balmann fala do mundo líquido, onde as relações são frágeis e efêmeras. Isso já estava descrito no livro citado.
Mas voltando à questão das drogas, a tal do livro o Soma, era um reconhecimento social da necessidade de ter nas drogas uma válvula de escape. Para que os usuários não se "viciassem" ela era elaborada de modo a não promover dependência química. Mas o uso continuado era permitido, desde que controlado pelo estado para ficar dentro dos parâmetros "normais".
Mas uma pária daquela sociedade se recusava à se ater aos níveis normais, assim como não aceitava muitas das regras impostas por aquele modelo de estado. Marginalizada, mostra talvez esse lado lúgubre do ser humano, lúgubre porém numa atitude libertária e aí entra a questão.
Porque o ser humano se droga?
Fiquei me perguntando porque nós humanos precisamos sair do plano da normalidade e usando drogas flutuar num universo mais leve, menos restritivo, mais libertino, mais livre?
Essa é a questão central.
O que, na nossa vida a torna tão maçante que precisamos vez ou outra, ou sempre, deixá-la de lado e perder o senso de realidade.
Programas eficazes de conscientização da juventude, promovidos por igrejas por exemplo, trazem o "rebanho" controlado com rédeas curtas, mas será que se houvesse mais liberdade de pensamento para esses jovens religiosos, se fosse a cultura e não o dogma religioso que o guiasse ele continuaria se sentindo feliz?
Condenação Social
É visível pelo noticiário que as classes de renda mais baixa geram maior número de vítimas das drogas. Há toda uma conjuntura muito mais propícia para cooptar esses jovens ao vício, que passa pelo abandono nem sempre voluntário dos pais que precisam sustentar a casa, por um sistema de educação que foi largado às traças e está levando o país a uma situação de regressão social pois não conseguimos nem formar mão de obra especializada para os desafios do novo mundo, por um sistema de segurança que nos põe inseguro quando vemos que policiais acabam por ser cooptado ao mundo do crime para com este serem permissíveis, e por um estado politicamente formado não pelo melhor da sociedade mas, salvo exceções, pela pior escoria dela.
Vivemos numa sociedade que condena à morte jovens pobres estudantes de escolas públicas e moradores em regiões controladas pelo tráfico e não pelo estado. Matamos mais que as guerras e revoluções em andamento no planeta. E viramos a cara para poder dizer que "não vemos nem ouvimos nada".
Classes mais abastadas podem ser melhor informadas e/ou sustentadas para que o vício das drogas não ponha cidadãos na mira de um revolver. Sabemos que também consomem drogas mas trafegam na sociedade incólumes.
Tem saída para nós?
Tem razão então Ferreira Goulart quando fala que só a conscientização dos jovens quando aos malefícios das drogas pode diminuir a clientela e assim o consumo.
Mas acho que também tem razão os políticos uruguaios que estão tentando uma mudança de paradigma. Talvez haja um meio termo, onde não se jogue o jovem viciado em escolas de crime que são nossas instituições penais e que se pense em gastar com sua recuperação e não com sua manutenção apartado.
Talvez a descriminalização permitisse esse meio termo aliado, sempre, e de volta, com o tema educação seria a saída para mudar esse estado de coisas.
A questão seria resolvida?
Mas mesmo supondo que pudéssemos mudar esse quadro, ainda ficaria a questão central, do porque o ser humano busca a droga.
Essa questão é muito mais profunda, diz respeito talvez à nossa própria incapacidade de ter uma vida sociocultural que realize nossa índole gregária e estimule valores positivos e não como hoje, onde o individualismo nos torna cidadão solitários num mundo abarrotado de gente.
As igrejas como já disse acabam fazendo isso com certo êxito, mas pecam por deixar seus seguidores, inebriados de outra forma, acreditando num mundo baseado em dogmas que na pratica do dia a dia acabam não explicando nossas ações. É, por assim dizer, outro tipo de droga usado.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Passe Livre Sonho Possível?

Eu estava com esse negócio na garganta, faz mais de 40 anos que estudei a matéria e não conseguia me conformar com a dicotomia entre esse meu estudo e a realidade observada.

Olhando essa planilha de composição de custos da tarifa de transporte de Londrina (como mero exemplo) http://bit.ly/17CTplO analiso o que segue:

=> Vemos bem no fim que a parcela correspondente à mão de obra é de 46%. Aqui em Curitiba foi instituído sistema que na engenharia de tráfego denominávamos pré-metro. São ônibus bi ou tri articulados, que carregam 2 ou 3 vezes mais que os normais em calhas exclusivas, isto quer dizer que estes 46% ficariam divididos pela metade ou terça parte do original. Se calcularmos só a metade, representa que 23% do custo foi eliminado.

=> Acrescente-se a isso o fato de termos estações tubo onde ficam os cobradores da linha ao invés de um em cada ônibus, não sei calcular quanto reduziria mas acredito que mais da metade dos cobradores. No raso considerando que dos 46% gastos com pessoal, uns 10% seja correspondente aos cobradores, uns outros 5% poderiam ser eliminados.

=> A parte dos tributos representa mais 11% que poderiam ser eliminados pois trata-se de um serviço público.

=> O item remuneração (que quer dizer lucro das companhias) representam outros 6%. Porque o sistema tem que ser privado?

Sabem quanto somam esses valores? 45%.
Quer dizer que a tarifa real para Londrina poderia custar algo em torno de 55% a 60% do que custa, caindo de R$2,54 para R$1,50.

Esta análise é bem superficial e poderia ser mais aprofundada com auditoria real nas contas, preços e taxas, mas  não quero aqui ser técnico.
Quero sim mandar um recado político: nosso transporte público é mais caro que o das grandes capitais americanas e europeias porque nos somos incompetentes na governança e mansos como usuários... ou éramos...

Se houver vontade política o preço dos transportes urbanos poderia cair pela metade.
Muitos passageiros de automóveis migrariam para o sistema. Para cada 7 carros que saem de circulação podemos substituir por 1 ônibus com 50 passageiros sentados, grosso modo 1 ônibus elimina praticamente 50 carros no trânsito. Os congestionamentos diminuiriam muito, o tempo de viagem  e o custo operacional do próprio sistema de ônibus também.

Ufa, pronto falei.

'Bora pra rua. Reclamar por metade da tarifa é possível!

sábado, 1 de junho de 2013

Estado ora Estado!

Li uma notícia muito interessante nesta semana. Na Catalunha (Espanhola) estão desenvolvendo um sistema econômico à margem do Estado Espanhol.

Como sabemos a coisa anda brava por lá com 50% da população jovem e 25% do total da população sem emprego.
Algo teria que acontecer depois da sensação de impotência, da desconstrução da dignidade de uma nação que vinha vindo muito bem e agora tem boa parte de seu povo tendo que mendigar até para comer.
Com o sofrimento, acabamos por procurar saídas possíveis.

É o que o mundo está fazendo com a chamada economia solidária, defendida aqui no Brasil entre outras pessoas, pela deputada Luiza Erundina.
Estado calamidade anunciada
Me vejo à mercê de um Estado incompetente como esses que temos na contemporaneidade, numa relação mais que promíscua com o poder econômico.
Um Estado prepotente, agigantado, perdulário neste universo econômico deixou de ser um moderador para ser um arrecadador voraz de impostos que sufoca suas populações, e um péssimo distribuidor destes recursos às pessoas que com ele realmente colaboraram.

Um Estado que pratica uma falsa democracia, fazendo das eleições um espetáculo de marketing para ludibriar eleitores. Não votamos em programas de governo, em pessoas éticas e nobres, votamos nos que fazem melhor jogo de cena, votamos pela emoção e não pela razão. Eita povo idiota que a atualidade está criando.
O mesmo marketing que nos ludibria fazendo-nos envenenar com refrigerantes, é o que hoje é usado pelos políticos para fazer passar por melhor voto os piores da sociedade. 
As exceções que me perdoem pois sei que elas ainda existem, apesar de estar se rareando.
Isso não é democracia, a canalha que nos representa, e governa no mundo todo, usa o termo de forma também enganosa, para novamente nos ludibriar.
Mídia Vendida
A Mídia que se diz livre vive também às custas e a serviço deste Estado falacioso e do Poder Econômico representado pelos seus anunciantes. A força da verdade raramente prepondera, somente depois de passar pelo crivo da autocensura, que convenhamos, não deixa de ser censura. Novamente a generalização não significa que muitos e bons jornalistas tenham um foco honesto e ético no trabalho que fazem, e me parece que é um grupo cada vez mais maior. Mas a Mídia tem fatores econômicos muito difíceis de serem equacionados somente dentro da ética.
Para exemplificar nunca vi uma matéria sobre a agiotagem que os bancos brasileiros cometem, nem mesmo quando a pretendida baixa de juros prometida pelo nosso governo geraram uma avalanche de notícias. Nossos bancos cobram juros extorsivos alegando que a inadimplência é grande. 
Usam um economês idiota para a frase que todo agiota usa.
Quem nasceu primeiro a inadimplência ou o juro extorsivo? Um alimenta o outro a menos que se aja com padrões civilizados o que não é o caso dos bancos brasileiros. 
Mas de novo onde está a Mídia para defender a população? Ora falar contra anunciantes poderosos nem pensar né?

Mas a realidade é muito mais forte que as besteiras que estas quadrilhas andam fazendo. Como já disse a fome e a humilhação, levam as pessoas que tenham referências de uma vida digna, a encontrar caminhos diferentes.

Isto está acontecendo em muitos lugares e talvez seja mesmo o prenúncio de uma nova forma de organização social que se imporá à margem do Estado e acima das nacionalidades. 
Esta nova forma pressupõe todo o ideário sadio da modernidade como:
  • a convivência com os diferentes (ao contrário do que estamos vendo com o crescimento da xenofobia na Europa atual ou das crescentes manifestações homofóbicas mundo afora inclusive e inesperadamente também na Europa), 
  • o respeito ao indivíduo (hoje vilipendiado pelo Estado e por muitas empresas), 
  • uma participação cidadã mais efetiva em todos os aspectos da vida, da saúde e educação ao transporte e meio ambiente,
  • um respeito ao trabalho remunerando-o com justeza dentro do contexto em que se realiza,
  • e muitos outros que não é o caso de ficar citando aqui.
Aí nasce, quase que naturalmente, um novo sistema social, político e econômico, muito mais perto dos conceitos originais de democracia, com princípios anárquicos e muito mais interessante.
É uma revolução que nasce de dentro de cada participante, se irradia e tem força muito maior do que se imagina.
E se os jovens desempregados da Espanha deixassem de tomar refrigerantes o que fariam as indústrias para tentar retê-los no consumo? Dariam de graça? Forçariam os governos a manter planos assistenciais para que pudessem ter dinheiro para comprar? Isso tudo já foi feito, mas e se ainda assim por princípios internos os jovens deixassem de tomar esses venenos?

O sofrimento também pode levar ao esclarecimento da população fazendo-a repensar os paradigmas e neste caso a força desta nova realidade se impõe.
Se estou desempregado e não tenho ganho, posso fazer algo que conheça para trocar por algo que preciso. Em termos econômicos parece primitivo, mas é na verdade fruto de uma evolução da sociedade que está vendo que todos os processos econômicos até aqui tentados falharam. Talvez não por falta de consistência teórica, mas por falha dos aplicadores do sistema que sempre são os mais espertos da sociedade e quase que sempre os menos éticos.

Esta surgindo então essa nova economia da qual sei muito pouco e não é isso que importa para mim agora, mas sei tudo o que vi sobre ela mostra que os indivíduos passam a acreditar em uma moeda que a representa, não pela moeda, mas por princípios pessoais, de convivência social respeitosa e principalmente da lisura ética onde se empresta a juros ínfimos ou mesmo sem os juros, e sem garantias a não ser da dignidade das partes envolvidas.

Claro que é um processo demorado, talvez séculos sejam necessários para que se imponha, mas com a minha forte crença na auto-destruição que veremos do sistema econômico atual, talvez acabemos por chegar mais cedo a um estágio civilizatório minimamente decente e que inclua todos os povos e não somente os que se pretendem ungidos.

Não sei se esses vários focos desta nova economia são orquestrados ou não. Acredito que não. Podem ter sim um ideário comum, mas o importante que ele seja uma forma de auto-organização com forte participação de cada um sem delegações de poderes a terceiros.

Isso é Anarquia da boa, não o Caos, é a ordem aleatória da natureza, é a verdadeira democracia onde mais que poder é dever participar.

É um começo, quem quer colaborar?

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Feliz 2020!

Gostaria de desejar um Feliz 2020 a todos.
Sim 20 porque as perspectivas até lá são aterradoras e 2020 tá longe das previsões idiotas que sempre temos que ouvir da mídia nessa época.

Teremos alternativas?
Talvez, se mudarmos o modo de compreender e viver a vida.
Temos que redescobrir o sentido do menos é mais, aprender a dividir que é diferente de compartilhar que não passa do "mais com menos", onde com um clicar distribuímos lindas e até (por vezes) inteligentes mensagens.

Nestes tempos de efemeridades estamos desconstruindo as relações, talvez deva ser assim mesmo não sei bem.
Mas sou velho, de tempos outros, onde algo de mais profundo deveria pautar as relações ou simplesmente elas desapareceriam, não se manteriam desta forma maio que hipócrita que as mídias sociais e a informação na velocidade da luz permitem.

Tenho saudade de outros tempos, me comunicava muito menos, mas dividia mais a vida com os amigos, não havia atalhos.

Era olho no olho.

Essa falsa noção de que estamos conectados não nos trará felicidade nenhuma.
Estamos falando mais do mesmo, dia após dia.
Nossa sede de participação cidadã não será saciada por mídias sociais e opiniões dadas nos blogs e matérias da imprensa.
Enquanto não tomarmos consciência de que só tirando a bunda da cadeira e começando a agir da forma que desejarmos
nada mudará. 
Não podemos nos deixar levar pela "tendencia" manipulada pelas várias instancias de poder que nos cerca.
Assim fizeram povos árabes quando saíram as ruas para derrubar ditaduras, ou o pessoal do Ocupe Wall Street, ou os povos que estão sendo oprimidos pelo sistema econômico europeu, só para dar alguns exemplos.

Nós temos uma ditadura aqui no ocidente que é pior que as piores monarquias totalitárias do mundo árabe.
Baseada num poder sedimentado por milênios, baseado no capital, que se cristalizou e criou estados,  meios de comunicação, sistema monetário, mercados e tudo o mais que vemos hoje.

Mas não criou um homem mais feliz ou, no mínimo, mais civilizado.

Nossa violência é menos sangrenta que a da idade média, mas se ainda usássemos lanças e espadas veríamos o mesmo banho de sangue de então.
Ontem morreram mais de 400 pessoas só na louca e violenta Síria, só para exemplificar o quão rude é o homem atual.

A humanidade mudou pouco, não vamos tapar o sol com a peneira.
Está na hora de jogarmos para tras nossa hipocrisia e encaramos de frente o que está acontecendo na modernidade, não só da nossa realidade mas a da maioria.

Nações européias, autoproclamadas avançadas, tem crise profunda na convivência com os diferentes (e principalmente com aqueles que para lá migraram). Enquanto havia uma certa folga econômica podiam tolerá-los mas agora, cada vez mais, vemos hostilidades mais ou menos disfarçadas contra eles.
Falar que não é bem assim é de novo nossa postura hipócrita ou insensibilidade social não sei o que é pior.

Os EUA, que se autodenominam "América" (parece que com isso tentar nos fazer todos os demais países do continente como parte de seu violento feudo pós-moderno) tem uma massa de quase 50 milhões de pobres. É incrivel como pode um país dito rico ter tanta miséria?
Com certeza a sociedade de lá é tem uma insensibilidade crônica, o homem médio de lá não sabe disso? Se sabe e aceita atesta assim sua pequenes como ser.

A China está tentando virar um país de mercado, tentando fazer atrasadamente o que o ocidente já fez a mais de 3/4 de século atras. Mas usam um artifício de um comuno-capitalismo que faz sua nação ainda ter como base de desenvolvimento uma escravidão pós-moderna. Não posso muito falar de algo que desconheço, mas as notícias que nos chegam são aterradoras: suicídio coletivo em fábricas que abastecem o restante do mundo, jornadas sufocantes de trabalho, estratificação socio-econômica, e tantas coisas que se fazem contradição com a pretendida igualdade pregada pelo comunismo.
A Índia me soa como o país dos gênios toscos, dicotomia total entre visões espiritualistas, inteligência super avançada e homicídio de meninas indesejadas nas famílias pobres, estupro (até agora) praticamente autorizado pelos costumes e um atraso humano aceito por princípios religiosos que constroem algo que surreal por lá.
A Russia que não consegue escapar de seus caudílios, e que ao ter que libertar países da União Soviética mostrou o atrazo dos povos sob seu domínio que fizeram a dita faxina ética dizimando centenas de milhares de homens mulheres e crianças. Rudes, toscos e violentos tal como na idade média.

Cito esses países onde se deposita muito da expectativa do possível desenvolvimento econômico pretendido para salvar o sistema econômico mundial.
Talvez sejam somente um segundo tempo para esse capitalismo selvagem de mercado que assim demorará mais para ruir.
Mas a dura realidade que os países mais avançados estão vivendo atingirá a todos.

Estamos sem saída dentro do sistema, a história irá contar.
Daí minha crença que só a mudança da célula básica da sociedade que é o homem poderá mudar as coisas.
E não nos enganemos novamente com nossa hipocrisia, somos toscos e precisamos mudar isso.
A mudança de postura social irá acabar por desautorizar o estado, e os demais poderes que o capital criou.
Vai demorar porque os mais toscos que hoje ocupam lugares de poder não irão querer largar a rapadura sem lutar muito, mesmo que tenham que matar gente de seu próprio povo. 
A Síria não é um exemplo tão distante do que é capaz um poder ferido de morte.

O processo será anárquico (no seu melhor sentido) e irá demorar muitas décadas, mas esse é o caminho de saída que vejo para criar uma sociedade mais humana com todos os bons adjetivos que o homem pode ter.
O simples fato de procurarmos o mais com menos irá ruir as instâncias deste poder.
Ao deixar de consumir, ou reduzir drasticamente, esse mundo que nos ofertam no que for possível estaremos ajudando essa mudança.

Mais letrados poderão me contradizer, mas essa desconstrução do poder já se iniciou com movimentos ecológicos, de direitos humanos (despolitizados) e muitos outros que se espalham pelo planeta como ONG´s sérias.

O início já foi dado, cabe a cada um de nós construir a mudança interna que irá fomentar mais e mais essas transformações.

Mesmo que não seja 2020, seja 30 ou 40 construamos um Feliz Ano Novo.!